Blade Runner 2049 – Crítica

É bom, mas não é isso tudo.

K (Ryan Gosling, La La Land)) é um novo blade runner em 2049. Após caçar um replicante refugiado, K descobre a história de uma replicante que conseguiu dar à luz à uma criança. Sendo assim, ele é enviado para investigar mais a fundo enquanto uma corporação busca os mesmos interesses que o agente.

É inegável a qualidade de Blade Runner. O filme se tornou um clássico e mesmo após 35 anos, ele ainda é uma referência em muitos aspectos, tanto em gênero de ficção científica quanto em direção, fotografia, trilha sonora, roteiro, etc.

Sejamos francos, esse não era um filme que precisava de uma continuação. Mas já que teve, essa era uma tarefa difícil, mas que nas mãos de Denis Villeneuve tudo era possível. Bom, não foi bem assim.

De forma geral, Blade Runner 2049 é impressionante. Esse é um daqueles filmes que quer te impressionar com tudo que ele pode. Denis Villeneuve é um incrível diretor que sabe dirigir basicamente tudo. Em Blade Runner 2049 nós temos cenas de ação incríveis que são boas e muito impactantes. Temos uma trama completamente policial que é bem conduzida junto do seu suspense, atores bem dirigidos e tudo mais.

Porém, Denis Villeneuve não cuida do roteiro, que é justamente onde o filme erra, e muito. Blade Runner tinha uma premissa diferente, trazer questionamentos sobre a vida e nossa existência, criador e criação, tirando toda a trama que tinha algo a mais pra te contar por traz dos panos. Blade Runner 2049 consegue voltar com essas perguntas existenciais que são até enaltecidas aqui. Mas no fim das contas, Blade Runner 2049 não tem uma história para te contar.

O filme tem impressionantes e exagerados 160 minutos (2 horas e 40 para os preguiçosos) que que poderia ter 40 minutos a menos facilmente. O filme se perde em cenas que não levam a lugar algum na história, como a relação de K com Joi, um sistema operacional de sua casa que copia cenas do filme Ela. Da mesma forma que a trama é simples, é um filme policial comum, mas bem conduzido, e que aqui eles tentam tornar essa simplicidade da trama em algo muito mais intelectual do que é. Mas a pior sensação é quando acaba o filme, e percebemos que aquela história não agregou nada ao primeiro filme, respondeu perguntas que o primeiro deixava em aberto para nossa interpretação (o que eu acho um pecado) e inúmeros buracos em seu roteiro.

Personagens importantíssimos e sub-tramas são criadas e não são finalizadas. Eu não sei se a intenção é ter um terceiro Blade Runner, mas eu espero que não, porque essa história nova que estão contando, não está indo para lugar nenhum.

O elenco é um dos melhores fatores do filme, assim como o técnico. Ryan Gosling faz bem o tipo de detetive sério e determinado, da mesma forma que consegue ser robótico em muitos momentos e sustenta bem o filme. Harrison Ford está de volta, e meu, é o Harrison Ford sendo incrível como sempre. Mas você nota uma diferença do Deckard de um filme para o outro. Aqui é notável que seu personagem viveu muitas coisas, e isso se reflete em seu personagem. Temos Ana de Armas, interpretando Joi como já citado, e que tem seu personagem inútil por mais que esteja bem no filme. Dave Bautista fazendo uma ponta, Sylvia Hoeks como Luv, a perseguidora principal que tem uma atuação muito boa em momentos e caricata demais em outros. Foi um personagem que detestei. E por fim temos Jared Leto como Wallace, o antagonista principal. Jared é sensacional como ator e está ótimo no filme. Mas seu personagem é raso, tem poucas cenas e não convence como vilão.

A fotografia é estonteante e maravilhosa. Cada cenário, cada paleta de cor introduzida no filme é incrível e a trilha sonora de Hans Zimmer é boa, um pouco genérica e se apoia por completo em toques de A Origem.

Blade Runner 2049 é um filme bom, apenas. Ele tem uma trama interessante que te envolve. Basicamente, temos um filme policial aqui que se acha muito mais inteligente do que realmente é. Em termos técnicos, tudo é perfeito em Blade Runner 2049, mas para ser a continuação de um filme desse porte, ele precisava demais, precisava ser mais incrível, mais marcante. E no fim das contas, ele é um filme genérico, mediano só que muito bem feito. Mas não se impressione se daqui um tempo você deletá-lo de sua mente e manter apenas o original na sua memória.

Nota do Autor: 7.5
Nota do público:(7 votos) 9
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

Arthur Lopes publicou 264 posts. Veja outros.

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  • FernandoGoias81 .

    Puxa… genérico!? Estava com expectativa até alta para saber de que forma essa continuação trataria o clássico. Muitos jornais impressos da Capital, em seus cadernos de cultura, estão dando grande destaque a esse filme, traçando paralelos com o original e aumentando bastante a curiosidade.
    Esta crítica chama atenção por outro ponto: trilha sonora do filme nada empolgante. Lamentável que tenham se preocupado mais com a parte visual (já o clássico, ao contrário, a esbanja como verdadeira “marca registrada”!).

  • Gabriel Clovier

    Crítica polêmica