Death Note: The Light Up The New World – Crítica

Em uma indústria onde a produção de remakes e/ou infinitas sequências sustentam o ócio criativo de profissionais já fadados ao fracasso, não é de se espantar que a atual crise no cinema tenha chegado aos confins orientais, não é mais uma exclusividade de Hollywood. O live-action ‘Death Note: The Light Up The New World’ é a prova cabal que um trabalho sem qualquer planejamento, partindo apenas do desejo impulsivo de produtores que enxergam apenas cifras, pode se tornar algo intragável, sendo apenas mais do mesmo.

Dos mesmos roteiristas do original (série animada), ‘Death Note: The Light Up The New World’ se passa 10 após a história de Light, L e Ryuk, um Shinigami. A nova história revela outros seis detentores do Death Note, em um mundo onde o ciberterrorismo tomou conta da população e tornou-se ainda mais fácil criar uma verdadeira chacina para aqueles que desejam tornar o mundo “melhor” ou apenas ver o circo pegar fogo.

Além de apresentar novos personagens, como o Ryuzaki, que é o substituto do L herdeiro do mesmo DNA, ‘Death Note: The Light Up The New World’ traz de volta figuras importantes como a Misa Adame (Erika Toda) e o próprio Ruyk, que pareceu gostar das suas últimas desventuras pelo mundo dos humanos e aceitou embarcar uma aposta feita pelos Shinigamis sobre quem causará a maior chacina desta vez. De resto, algumas referências à personagens antigos e aparição do próprio Light por meio de vídeos gravados.

O maior problema de ‘Death Note: The Light Up The New World’ é a sua tentativa falha de parecer old school, ao mesmo tempo que tenta se tornar um grande filme de ação. Não que o efeito thriller seja um problema, o próprio anime usava e abusava desse efeito, mas ao estabelecer sua identidade neste formato, sem ao menos oferecer uma história que seja no mínimo interessante, com personagens fortes e cativantes, o filme tende a decair. O próprio Ryuk aparece bem menos e o detetive bola da vez, apesar de herdar o mesmo DNA do L, personagem interessantíssimo do anime, se apresenta aqui como uma figura patética, que carece de inteligência, mas lhe sobra comportamento infantil. Destaque para Misa Adame que em sua versão adulta, amadureceu diante os eventos passados e aqui entrega uma personagem eficaz.

O filme falha também ao deixar de explorar mais da personalidade dos demais Shinigamis, o outro destaque fica para Arma, uma Shinigami que apesar de aparecer pouco, chama a atenção por conta da sua curiosidade acerca da personalidade humana. Outro peso negativo dado ao filme é a sua conclusão ex-machina e sem sentido, utilizando inclusive das mesmas ferramentas do anime, uma pena.

‘Death Note: The Light Up The New World’ é um filme que tinha um incrível potencial de expansão do seu universo, poderia estar em um plano maior, capturar não somente a essência do anime, como também explorar suas nuances, mas seus produtores preferiram optar pelo caminho mais curto, uma pena

Nota do Autor: 4
Nota do público:(3 votos) 3.6
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Ângelo Costa

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