Dunkirk – Crítica

Sinto cheiro de alguns Oscars.

No início da Segunda Guerra Mundial, soldados britânicos e franceses, ambos aliados da Bélgica, se vêm cercados pelo exército alemão em Dunkirk. Sendo assim, iniciasse a Operação Dínamo, esta que visava resgatar os soldados presos em Dunkirk. Desta forma, acompanhamos três histórias sendo elas: um piloto britânico que luta contra inimigo; um britânico que utiliza seu próprio barco para resgatar os soldados na praia e por fim, a sobrevivência de um soldado em meio aos bombardeios da praia.

Christopher Nolan é um diretor de currículo invejável. Diretor de filmes com Amnésia, a Trilogia O Cavaleiro das Trevas, O Grande Truque, A Origem, Interestelar e seu mais novo filme, Dunkirk.

Porém, Nolan sempre foi o autor de filmes muito autorais que deixavam sua imaginação fluir. Dunkirk é algo que foge completamente disso, por estamos falando de um relato real, coisa que fez o diretor se sentir mais contido, sendo um dos seus filmes mais curtos com uma hora e quarenta de duração, mas que conseguiu mostrar ser completamente versátil.

Em teoria, Dunkirk é basicamente o que a sinopse acima disse e nada mais em quesito de história. Obviamente, contratempos são mostrados nesses três núcleos principais, mas não espere reviravoltas ou algo muito elaborado. O charme do filme não é história, atuações ou qualquer coisa que seja visualmente deslumbrante. O charme de Dunkirk é a experiência que ele é.

Por mais que a história não seja algo surpreendente, como eu disse, existem contratempos. Esses contratempos fazem a trama caminhar e fazem Dunkirk se tornar um dos filmes mais agoniantes que já tive o prazer de ver na vida. Aqui nós acompanhamos três histórias em que seus personagens são vítimas a todo momento e isso faz com que nós telespectadores, estejamos em uma constante sensação de perda de controle. A todo momento uma bomba explode, um avião inimigo passa e colocam os protagonistas em perigo mortal.

E o que faz com que isso seja interessante? Justamente a forma como o filme é feito. Já que a história não é apreciável em si, que tornar isso tudo em uma experiência cinematográfica de primeira? É ai que entra a mixagem e edição de som, trila sonora, fotografia, direção, efeitos, montagem, tudo que vá para o lado técnico. Assistir Dunkirk no cinema é uma obrigação. O som é localizado de forma perfeita da mesma forma que quando é preciso sentir o impacto de algo, esse impacto é sentido de forma feroz. A edição do filme não faz com que o filme se torne chato e muito menos que você se perca dentre as histórias que possuem conexões muito sutis.

E por mais que a atuação não seja o ponto alto, todos os atores estão impecáveis e se apoiam completamente no desespero e determinação dos mesmos. Temos Tom Hardy como o piloto do avião, Mark Rylance como o capitão do barco de resgate dos soldados, Fion Whitehead como o soldado preso na praia e até mesmo Kenneth Branagh no elenco.

A fotografia do filme entra para os pontos altos do filme, com cenas estonteantes e uma paleta azulada que te faz sentir constantemente o perigo que está por vir. Mas uma das coisas mais brilhantes de Dunkirk é a trilha sonora de Hans Zimmer que transforma o filme em uma bomba relógio que você nunca sabe quando vai explodir.

Dunkirk ultrapassa os limites de ser apenas um filme e se torna uma experiência como poucos outros filmes fizeram. Portanto, não perca tempo e veja a qualquer custo no cinema. Além do filme ser interessante, cativante e bem-feito em todos os sentidos, ele se torna uma obra apreciável em que apenas assistir não basta, mas que deve ser sentido.

Nota do Autor: 10
Nota do público:(2 votos) 8.7
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Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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