Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) – Crítica

O mais fraco dos indicados ao Oscar, mas não quer dizer que seja ruim.

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Nos anos 60, Elizabeth Goble (Taraji P. Henson, O Intruso), Doroty Vaughn (Octavia Spencer, Histórias Cruzadas) e Mary Jackson (Janelle Monáe, Moonlight) são três mulheres negras que trabalham em meio a NASA. Em meio à corrida espacial contra a Rússia, as três mulheres lutarão contra o preconceito enquanto lutam pelo seu espaço e ascensão hierárquica na NASA.

Após vencer o SAG, Estrelas Além do Tempo se tornou o novo queridinho da turma. Devido a temas como empoderamento feminino e até mesmo ao racismo, era de se esperar que um filme como esse ganhasse a empatia do público de maneira fácil.

Porém, é justamente em suas virtudes que Estrelas Além do Tempo tropeça. Todo o filme é bem contato, temos focos bem claros em toda a trama si. Seja desde negros na sociedade americana dos anos 60, mulheres negras na NASA, preconceito e luta por uma igualdade dentro da empresa. Os tremas são bem tratados, e na maior parte do tempo, você aceita quase tudo. Porém, o que peca de forma gritante, é como o filme não sabe passar mensagens sendo sutil.

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Eu detesto quando um filme precisa ficar falando e não mostrando. No caso aqui, eles fazem os dois de forma inconsciente. O filme, em muitos momentos demonstra como os negros eram isolados, tinham seções específicas para que eles pudessem ir, seja um mísero bebedouro para os de cor, uma parte no ônibus ou até mesmo banheiros. E em muito isso é apenas mostrado, sendo assim, a mensagem está sendo passada por osmose. Mas, 40% do filme esquece disso e fica a todo momento dizendo “isso acontece por sermos negros” ou “aquilo não vai dar porque somos negros”. Isso faz com que o roteiro menospreze o espectador e faz com que fique parecendo que o filme apenas que apelar, como foi feito em A Garota Dinamarquesa, mas com outro conceito.

Isso até seria aceitável se fosse duas ou até três vezes, mas depois de uma dúzia, cansa, apela e você nota que o filme não foi feito para contar uma história como em Moonlight, mas foi feito apenas para concorrer e ganhar prêmios por um tema explicitamente jogado na sua cara, o que acaba tirando completamente o efeito de um momento em específico em que uma das negras dá um discurso desabafando sobre o preconceito. No entanto todo o resto funciona bem, seja a química entre suas personagens, as subtramas das mesma, dramas e momentos cômicos no filme também.

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Algo muito bom em Estrelas Além do Tempo é o seu elenco. Taraji P. Henson faz bem Elizabeth, demonstrando uma mãe contida em suas ações e desaforos da sociedade, mas na parte de gênia da matemática a coisa não se desenvolve muito bem. Osctavia Spencer é a mais autoritária do trio, demonstrando a que quer ser mais poderosa e almeja grandes coisas. Janelle Monáe é a mais sarcástica do trio, tendo bons momentos cômicos e de descontração para o filme. Kevin Costner é o chefe durão, mas que compreende os menores. Jim Parsons é o valentão da sala, completamente irritante e chato no papel. E ainda temos Kirsten Dunst e Mahershala Ali que estão bem dentro daquilo que se propõe a fazer, mas são talentos desperdiçados.

Com uma fotografia bem limpa e que demonstra vários contrastes sociais relativos ao preconceito racial, o melhor fator do filme todo é a música. Baita trilha sonora boa, com músicas negras temáticas da época que te jogam por completo dentro daquele mundo junto da direção de arte que ambienta tudo muito bem.

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Estrelas Além do Tempo é um filme legal, bobinho e divertido. O problema é que ele tinha potencial de ser muito maior, de ser aquele tapa na cara da sociedade, um filme que iria fazer muitas pessoas pensar na sociedade em si. Porém, ele é tão explícito com isso que a partir de um momento sua mensagem se perde e notamos que só estamos assistindo um Oscar bait e nada mais, principalmente devido à polêmica do ano passado do Oscar so White. Não merecia estar entre os indicados, muito menos os prêmios que levou. Mas é um filme legal sim.

Nota do Autor: 7
Nota do público:(1 voto) 7
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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