Hush, a morte ouve (Hush) – Crítica

O filme, disponível na Netflix, é sobre uma mulher que tenta escapar das garras de um assassino psicopata e sádico. Um roteiro mais do que batido no cinema, certo? Completamente errado! Hush, a morte ouve é um filme de psicopata assassino sim, porém com uma história muito bem contada e com ótimas atuações.

Vamos aos personagens. De um lado, Maddie (Kate Siegel), surda e muda devido a complicações da meningite que adquiriu na adolescência. É escritora e tem um livro de romance publicado. Mora sozinha na floresta e sua casa é adaptada as suas necessidades. O alarme de incêndio, por exemplo, tem um som alto o suficiente para que ela possa sentir as vibrações. Tem uma vizinha, Sarah (Samantha Sloyan), que ainda está aprendendo Libras com o namorado Jonh (Michael Trucco). Maddie ainda tem uma irmã, Max (Emilia Graves), com quem se comunica pelo facetime.

Do outro, temos o assassino vivido por Jonh Gallagher Jr. Como a maioria dos psicopatas, é perverso, sádico e sente uma enorme satisfação ao ver a vítima sofrer antes de definhar.  Para ele, não basta só uma facada, tem que ser várias, uma atrás da outra, só pelo prazer do ato, mesmo que a vítima já esteja morta. Obviamente aqui não há spoilers apenas uma percepção de quem ficou bastante agoniada e surpreendida pelo desenrolar dessa história.

Uma vítima surda-muda…presa fácil! Será…?

Logo no início, ele percebe que Maddie é surda-muda. Tranquilamente, ele entra na casa e fica passeando, observando o terreno. Enquanto isso, ela tenta escrever o final do seu próximo livro. Em seguida, sua irmã Max a chama para conversar pelo facetime. A brincadeira começa quando ele pega o celular dela. A partir daí são 60 minutos de pura tensão e suspense. Maddie não faz ideia do que o cara vai fazer. Tampouco o espectador. A atuação de Kate Siegel foi excelente, passando da tranquilidade para o pavor em alguns segundos. O perigo de morte era iminente. Não por acaso, a máscara do assassino (acessório típico de psicopatas…) denota uma expressão de prazer, afinal é isso o que os psicopatas sentem ao causar sofrimento em suas vítimas.

Maddie é uma lutadora

Aos poucos, o assassino vai deixando Maddie sem saída e cada vez mais aterrorizada.  Ao contrário da maioria das vítimas do cinema, a personagem de Kate pensa e articula maneiras de sair daquela situação. À medida que o tempo passa, o cerco está fechando e ela tem dúvidas se sairá viva dali. Porém, resiste e luta até o último momento, pois onde há vida ainda há esperança.

A cada tentativa de fuga de Maddie, o desgraçado dá um jeito de frustrá-la. E quem foi que disse que psicopatas assassinos tem que ter o rosto deformado ou queimado? Em Hush, o assassino além de charmoso é carismático. Bem que eu queria ser vítima desse psicopata aí… Brincadeiras à parte, o charme e o carisma do vilão podem te fazer torcer por ele (mas só se você tiver o juízo um pouquinho fora do lugar, como a pessoa que vos fala). Se realmente formos analisar, a maioria dos psicopatas assassinos do cinema se encaixa nesse perfil. Afinal, eles tendem a ser bastante sedutores, pois é assim que eles atraem suas vítimas. Vale salientar que ele tem uma tatuagem no pescoço que lembra a do personagem Seth Gecko, George Clooney, (outro psicopata de quem eu adoraria ser vítima) em Um drink no inferno.  

Ela até diz que não irá contar, pois não viu seu rosto. Mas ele é um sádico e tratou logo de tirar a máscara

  

O sadismo do personagem de Jonh Gallagher Jr. não chega ao do Cannibal Lecter, quer dizer, Hannibal Lecter, mas chega perto. Os artifícios que ele usa para causar terror na Maddie são bastante sádicos, causando um misto de espanto e admiração a quem assiste. A gente sofre junto com ela, mas como eu disse anteriormente, ela é uma lutadora e lutamos junto com ela também.

O silêncio total em várias partes do filme é fundamental para nos transportar ao universo da personagem. Maddie é atingida por seu agressor algumas vezes, porém devido a sua deficiência na fala, ela é impedida de expressar sua dor através de gritos ou gemidos, apenas pela expressão do seu rosto ou pela respiração entrecortada. Em termos de atuação, Kate consegue passar todo o sofrimento da personagem para a tela, tornando a experiência de dor ainda mais angustiante e intensa para quem está vendo. O final é previsível? Talvez, mas garanto que até lá a dúvida vai te consumir e a tensão aumentar até você desejar que o filme acabe logo. Sim, você vai ficar agoniado, angustiado, roendo as unhas até o final de Hush.

Nota do Autor: 9
Nota do público:(4 votos) 4.5
Dê a sua nota:

 

Rayana Lima
Formada em Psicologia e, atualmente, está terminando o Mestrado também em Psicologia. Adora diversos tipos de filmes e sempre gosta de assistir várias vezes aqueles que mais lhe agradam. Seu estilo preferido é suspense e terror, mas também adora um romance, uma comédia ou um drama bem construído. O estilo musical também é bem eclético, mas não peçam pra ela escutar Annita e afins. No seu tempo livre, ama dançar e gosta de jogar videogame. Mas só os de corrida, porque os de plataforma e RPG são lentos demais pra ela.

Rayana Lima publicou 34 posts. Veja outros.

Publicidade