IT: A Coisa (IT) – Crítica

Provavelmente, o melhor filme de terror do ano.

Em 1987, Bill (Jaeden Lieberher, Destino Especial) tem seu irmão morto e cujo corpo cai no esgoto da cidade de Derry, e nunca mais é encontrado. No ano seguinte, Bill e seus amigos começam a ter alucinações de coisas sobrenaturais, medos próprios que os atormentam constantemente colocando suas vidas em risco. É então que eles descobrem que Derry é assombrada por uma entidade maligna que busca se alimentar de crianças.

Em 1986 o mestre da literatura, Stephen King, escreveu o livro IT, que foi o melhor livro que já li na vida. Anos depois, em 1990, uma adaptação para a tv foi feita. Um filme dividido em duas partes que juntas criavam um grande filme de 3 horas, que na época fez sucesso, mas hoje em dia, por mais que tenham cenas clássicas e que ficaram marcadas, não convence.

Eis que 27 anos depois da primeira adaptação, temos uma segunda, essa sim que faz jus a história original.

É inegável que adaptar um livro de 1102 páginas é muito difícil. Mas para ser sincero, creio que o maior desafio de todos é conseguir transformar um horror literário de 86 e um horror cinematográfico de 2017. As mídias são diferentes, o que já muda muita coisa, e o horror é algo que conforme os anos vai mudando. Antigamente, as pessoas se assustavam com filmes como O Exorcista, hoje em dia a moda são filmes como Invocação do Mal, filmes de terror excelentes, mas que são completamente diferentes em suas propostas.

IT é isso. Sua história é um O Exorcista e que tinha de ser transformado em uma Invocação do Mal. E eles conseguiram.

O filme tem inúmeras influencias, em destaque para os filmes da saga A Hora do Pesadelo devido a criatura atacar como o maior medo da criança, e também com o estilo de direção de Sam Raimi, junto com a quantidade absurda de sangue que algumas cenas possuem, e também um gore muito bem implementado. Porém, IT não é apenas visual, ele consegue utilizar tudo que é essencial para a história acontecer (isso no livro) e colocar aqui, sem que o filme canse ou enjoe. Além disso, sua atmosfera de terror é excepcional, e por mais que use os jump-scares que estão sempre presentes nos filmes de terror da atualidade, ele cria um clima medonho e aterrorizante também.

Porém, em alguns momentos, a história acaba por tomar rumos simples demais e que pouco fazem sentido dentro daquela história. Artifícios como a donzela em perigo e até mesmo o beijo do príncipe encantado estão presentes aqui, e isso simplesmente não encaixa com toda a proposta do filme. E talvez como maior defeito, temos os efeitos especiais que em muitos momentos são bem utilizados, mas em outros são artificiais o suficiente pra não te convencer com a cena que está sendo mostrada.

No entanto, o melhor de tudo desse filme é justamente a parte mais importante dele, seu elenco. É muito importante que o grupo dos Otários seja bem desenvolvido e que seus atores convençam, assim como Pennywise. E isso é feito de forma incrível. Temos Jaeden Lieberher como Bill Gago, o líder do grupo. Finn Wolfhard como Richie Tozier, o alívio cômico (mais do que preciso em todos os momentos) do filme. Jack Dylan Grazer como Eddie Kaspbrak como a criança mais expressiva da turma. Sophia Lillis como Beverly Marsh, a garota do grupo que é muito importante para o desenvolvimento dos garotos. Jeremy Ray Taylor como Ben Hanscom, o mais puro do grupo.  E infelizmente os mais apagados Wyatt Oleff como Stanley Uris e Chosen Jacobs como Mike Hanlon. Sem contar a presença de Bill Skarsgard como Pennywise o Palhaço Dançarino que consegue ser amedrontador na medida certa.

A fotografia é maravilhosa, sabendo ambientar bem o filme em sua época, assim como utilizar cores que vão do quente ao frio em momentos oportunos. Houveram apenas alguns pedaços do filme em que ele se torna escuro demais.

E a trilha sonora excelente, precisa que compõe o filme com maestria.

IT: A Coisa é um ótimo filme de terror, que por mais que mude muitas coisas do seu material fonte, ele mantém a essência dele. É um filme tenso e amedrontador quando preciso, mas que consegue criar os momentos de descontração, desenvolvimento de personagens e também não esquecer de desenvolver a história. É um filme muito competente que se torna o melhor filme de terror do ano, até o momento, e que duvido muito ser ultrapassado por algum outro.

Nota do Autor: 8
Nota do público:(5 votos) 7.9
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Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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  • mau_franco

    Já é o melhor filme de terror do ano…o melhor dos últimos anos e provavelmente o melhor dos próximos anos.
    Perfeita sua crítica Arthur.

  • Arthur Lopes

    ohhh loco, muito obrigado mau =D