Jackie – Crítica

Filminho denso…

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Jackie Kennedy (Natalie Portman, Cisne Negro) é a mais recente viúva, após a morte de seu marido, John F. Kennedy. Sendo assim, durante uma entrevista com um jornalista, acompanhamos todo o processo de luto de Jackie, enquanto é contado mais sobre a personalidade desta pessoa muito importante e influente, mas que foi completamente esquecida da história.

Natalie Portman, a atriz que venceu o Oscar pelo espetacular Cisne Negro, volta como uma das favoritas para ganhar o prêmio novamente este ano.

Porém, Jackie não é um Cisne Negro, mas é algo muito bom também. Para quem espera uma biografia sobre o personagem em si, esqueça isso. O filme é contado de forma muito semelhar com que foi feito em Chaplin com Robert Downey Jr., filme em que acompanhamos a trajetória do cineasta, através de uma entrevista com um jornalista, agora que já é velho.

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No entanto, em Jackie, a entrevista não se passa tanto no futuro, e toda a história é basicamente focada na semana em após o assassinato de Kennedy, e alguns flashbacks do passado que são contados em forma de documentário, algo consegue ambientar com perfeição a época, tanto com a gravação em preto e branco, quanto com o som chiado da gravação, mas também lembrando muito o que foi feito em Forrest Gump, quando o personagem havia sido inserido em gravações verdadeiras, digitalmente, mas de forma imperceptível.

Sendo assim, Jackie mais conta sobre a persona de Jacqueline Kennedy, do que sobre sua vida em si, e em como ela foi importante para a eternização de John F. Kennedy e também para que ela não fosse esquecida pelo mundo, como a mulher de quase todos os presidentes americanos. No entanto, Jackie vai além disso e cria um intenso drama com um forte clima mórbido de luto. Toda a atmosfera do filme é impressionante, e sem dúvida é o que mais choca no filme junto da atuação de Natalie Portman. Ver Jackie é se aprofundar na personagem, em todo o seu sofrimento e sair chocado do filme, não por cenas fortes (por mais que a morte de Kennedy seja realmente sangrenta), mas sim porque a atmosfera do filme é tão envolvente, que saímos pesados.

Porém o filme não se aguenta, e ao invés de criar suposições que são contadas com as cenas, ele necessita de criar mais uma linha narrativa apenas para que as coisas se tornem claras o suficiente, tornando tudo muito expositivo. Isso além do longa se estender muito além do necessário com o seu final, possui no mínimo 5 desfechos e faz com que o público que já está cansado devido à mórbida melancolia do filme, fique ainda mais com o seu alongamento para um filme que nem é tão longo assim.

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E como já dito, interpretação forte não é o que falta nesse filme, e temos justamente a maravilhosa Natalie Portman para carregar um filme que sem uma atriz com seu peso, poderia ser destruído. Toda a atuação de Natalie é incrível, é a forma como o filme é contado, mostrando inúmeras facetas da personagem, seja de uma mulher poderosa que consegue o que quer, quanto uma manipuladora e até mesmo uma ingênua em frente às câmeras. É uma personagem para se interpretar, mas que dentro desta possui outras três e que também consegue elevar a carga dramática a um nível espetacular.

Nós ainda temos uma fotografia magnífica, conseguindo imergir o público por completo na época, isso junto da direção de arte que faz um trabalho fenomenal e uma trilha sonora com músicas muito boas, mas que em muitos momentos não consegue acertar a cena em que está, por mais que fique excelente em outras.

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Jackie é um drama denso e que pode pegar muitas pessoas desprevenidas, pessoas que acham que estão indo ver um filme sobre a vida de Jacqueline Kennedy. Mas não se engane, este é um filme, além de tudo, sobre luto, poder e ego, um filme que quer retratar mais a persona de sua personagem do que a história dela em si, coisa que é muito bem feito, por mais que algumas peças não se encaixem com perfeição no quebra-cabeça. Um filme denso e que não vai satisfazer a todos, mas que está acima da média.

Nota do Autor: 8.5
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Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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  • FernandoGoias81 .

    Jackie era, de fato, uma chamativa figura feminina entre aquele mar de poderosos nos anos 60. Altiva, rosto aristocrático, trejeitos quase estudados… Quem poderia predizer um futuro tão nefasto… Ter de, literalmente, juntar os pedaços do marido…
    A pouco vi um documentário do assassinato de Kennedy no Youtube e, olha… é para sentir-se mal mesmo!

    Quanto a Natalie como Jackie, vou conferir ainda, mas, num primeiro momento, achei inadequada a escolha. Vamos ver…