Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion) – Crítica

Dor e sofrimento. Em sua maior parte.

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Saroo (Dev Patel e Sunny Pawar), um garoto indiano, se perde de sua família em meio a uma estação de trem . Sendo assim, Saroo vaga pelo país em meio a inúmeros acontecimento até uma família australiana o adotar. Anos depois, Saroo começa a ter vislumbres do seu passado e começa uma caça incessante para conseguir encontrar a sua verdadeira família.

Admito que eles capricharam aqui no drama, pesado e muitas vezes sofrido, Lion, infelizmente, peca. Mas eu queria muito que ele fosse perfeito.

Aqui nós temos uma típica história de cinema. Sejamos sinceros, existem inúmeros filmes de pessoas que se perdem da família e depois fazem uma grande busca para conseguir reencontrar os familiares. Lion vai na mesma onda, e por mais que ele seja bem competente, fatores nele não funcionam.

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Eu considero Lion dois filmes: o primeiro chamaremos de Índia e o segundo de Austrália. Digo isso porque o filme é bem dividido nisso, tendo a parte infantil de Saroo na Índia e a fase adulta na Austrália. Porém, a parte da Índia é uma real obra-prima. Eu nunca senti vontade de chorar durante os primeiros 30 minutos de filme. Na Índia, a perda de uma criança da família é tratada de forma desesperadora e inquietante. A forma como o mundo hostil é tratado, assim como a forma como não podemos confiar nas pessoas é genial, e a falta de falas durante quase todo esse início é a prova de que muitas vezes podemos fazer mais com menos, deixando que as ações de seus personagens falem por si só.

Muito disso se deve ao carisma e talento do ator indiano Sunny Pawar que interpreta Saroo na infância, e sinceramente, esse sim devia estar nos indicados a melhor ator. Com ele nós notamos inocência, medo e confusão. A questão é que acompanhamos uma criança em um mundo podre e que não sabe onde está, o que está acontecendo e para onde está indo. Tudo é genial nessa parte do filme. Seja narrativa, a falta de explicação para coisas que são incompreensíveis aos olhos do garoto assim como a sua falta de esperança e apenas instinto de sobrevivência.

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Porém, na parte da Austrália, problemas começam a surgir, devido a muitas subtramas. Na vida adulta de Saroo são mostradas coisas como seu relacionamento amoroso, obsessão pela busca, reclusão e relacionamentos familiares. Porém é como se jogassem inúmeros parágrafos para nós que deviam ser preenchidos por inteiro, e no final, são preenchidos um terço apenas deles. Falta detalhamento e muita coisa que é mostrada nessa parte acaba por ser desperdiçada, brega e chata em alguns pontos.

Porém, os atores, mesmo nessa parte, são um show à parte. Dev Patel que concorre na categoria de Melhor Ator Coadjuvante está excelente com sua confusão e obsessão pelo passado. No entanto, Nicole Kidman não merecia a vaga, aparecendo muito pouco, fazendo o que deve fazer, mas nada muito além para chegar a concorrer no Oscar, mas tá bem. Ainda temos Rooney Mara excelente, porém o roteiro não ajuda sua personagem.

A fotografia é lindíssima e cria vários contrastes entre Índia e Austrália, assim como consegue mostrar um único país com inúmeras facetas.

E uma trilha sonora no ponto, que nem apela para o choro do espectador, mas não deixa o filme monótono.

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Lion é muito bom, mas chega a passar do ponto. Começa como sendo algo perfeito e infelizmente se perde em um roteiro que se torna confuso e pouco preciso com seus detalhamentos. Mesmo assim, é um drama intenso e que consegue pegar a quem estiver assistindo de forma bem competente. Vale ver, porque é um filmão.

Nota do Autor: 8.5
Nota do público:(1 voto) 8.5
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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