Mãe! (Mother!) – Crítica

Simplesmente sufocante e perturbador.

Em uma casa isolada nas florestas, vive um casal que degusta da vida a dois em seu paraíso próprio. A relação dos dois é explorada até que ela é testada quando visitas inesperadas começam a acontecer e o paraíso entra em colapso.

Darren Aronofsky é um dos melhores, controversos e diferentes diretores da atualidade. Com pouquíssimos filmes na carreira, Aronofsky constantemente choca com suas histórias, imagens e o mais importante de tudo, joga a verdade na sua cara, sempre focando na natureza das coisas, do mundo e das pessoas.

Mãe! é a mais nova prova de que ele gosta de ser diferente, polêmico e chocante.

Esse, definitivamente, não é um filme para todos, pois tanto críticos quanto público geral não irão concordar por completo. É um filme de extremos que, provavelmente, irão odiar ou amar. Mas o mais difícil de tudo é como é importante o fato de ir ver Mãe! sem saber nada sobre o filme.

Todo o enredo do filme é de exemplar narrativa. Aronofsky não é cem por cento autoral, mas Mãe! tem suas mãos no roteiro. Neste caso, a trama não é entregue de cara. As coisas são desenvolvidas segundo a segundo, e cada detalhe é de extrema precisão. Nada está ali por acaso, as situações do filme não são feitas por acaso. E aquilo que de início parecia ser um filme de suspense convencional, mas muito bem feito, começa a se tornar uma imensa confusão na cabeça de quem está vendo pois tudo é uma grande metáfora, ou seja, não se contente com imagens, mas sim com significados e se aprofunde e discuta sobre cada segundo do filme.

Porém, da mesma forma que o filme é bem contado e consegue transitar em estilos de uma hora pra outra, ele perde a mão no seu ritmo. A história começa a ir longe demais, se estende em situações que poderiam ser mais curtas, e a hora de acabar se prolonga demais. Mas, ao acabar, a sensação de cansaço é imensa e não pelo filme ser longo além da conta, mas pela sua atmosfera pesada, sufocante e perturbadora. É um filme em que duas horas se tornam muito mais.

Mas o que faz o filme andar de forma excelente é seu elenco com poucos nomes, mas pontual. Temos Ed Harris e Michelle Pfeiffer magníficos aqui. Ainda temos Javier Bardem monstruoso como a muito não o via em cena. Um personagem arrebatador de inúmeras facetas e completamente imprevisível. Mas quem rouba a cena é Jennifer Lawrence. Mãe! é um filme completamente focado nela e a forma como Aronofsky dirige, com sua câmera dançante e fluida, mas além de tudo, focada o tempo todo em takes fechados em Jennifer, é magistral. E sem a menor dúvida, esse é o melhor trabalho da atriz na carreira.

Ainda temos uma fotografia incrível, em meio a um cenário minúsculo e que comporta toda a história. Cores quente, um ambiente hostil e uma cinematografia exemplar de quem precisa contar esse tipo de história. E por fim a trilha sonora, não tão presente quanto no trailer, mas magnífica e aterrorizante.

Mãe! é um filme que não vai agradar a todos. Sem dúvida é bem feito, com uma história diferente de tudo que já vimos e que não tem medo de abordar um assunto extremamente delicado. Porém, por mais que o filme seja vendido como uma espécie de suspense, ele não é apenas isso. É um filme que exige de você, tanto mentalmente quanto emocionalmente e espiritualmente. Se for ver, veja com a cabeça muito aberta, pois Mãe! é uma experiência não só visual como sensorial.

Nota do Autor: 9
Nota do público:(5 votos) 8.7
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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