Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight) – Crítica

O Oscar de 2017 tá pegando fogo, bicho!

026080.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Em Moonlight nós acompanhamos a vida de Chiron (Alex R. Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes) em três momentos da sua jornada por de autoconhecimento. Passando por tabus como a pobreza, drogas, discriminação e sexualidade, Moonlight apenas nos mostra a vida.

Há 2 anos atrás, nós tivemos um filme aclamado pela crítica tendo sido um dos favoritos para o Oscar de 2015 que foi justamente Boyhood, dirigido por Richard Linklater e tendo demorado 12 anos para ser finalizado, a premissa de Boyhood era apenas mostrar a vida como ela é. Moonlight não foge de querer passar a mesma mensagem, mas é notável como a qualidade dele está infinitamente superior, sendo mais dinâmica, não apelativo e impactante.

531328.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Moonlight tinha tudo para ser apelativo, abordando os polêmicos temas como homossexualidade (que nem A Garota Dinamarquesa fez), drogas e pobreza, porém ele não é e nem quer tentar ser. No entanto, o filme pega os três temas e apenas os utiliza, porque ele que contar algo, e este algo é apenas uma história de vida, sobre uma pessoa que teve de passar por essas coisas.

Dividido brilhantemente em três partes, sendo elas chamadas de Little, Chiron e Black, Moonlight utiliza de três atores para interpretar o protagonista em cada parte de sua vida, sendo, respectivamente juventude, adolescência e vida adulta. Mas ver a este filme não é algo completamente fácil. Este é com certeza um dos filmes mais depressivos e melancólicos dessa estação, só porque ele nos mostra que a vida é difícil por si só, mas quando temos dificuldade, é preciso ser muito forte. Sem contar que as críticas sociais apenas recheiam as entrelinhas maravilhosas deste filme, mas o que mais impressiona é a sutileza nele posto. Diálogos que dizem mais do que apenas suas míseras palavras, olhares que conversam mais do que vozes e até mesmo como o meio em que vivemos nos define e nos transforma.

Aqui temos uma direção impecável de Barry Jenkins, com planos sequência imensos, mas não gratuitos, que logo na primeira cena ele consegue fazer com que o espectador imerja no universo ali criado. E a conciliação entre um drama denso, tons cômico e romance se encaixam perfeitamente, assim como ele consegue abordar todos os temas sem que nada fique exagerado demais, ou até mesmo apelativo para que sintamos dó de Chiron. Este é um filme sincero, um filme com cenas belíssimas e muito sentimentais. É como eu já disse, aqui as imagens falam mais que seus diálogos excelentes, e a forma como é construído uma das cenas românticas mais lindas que já vi no cinema, é impressionante. Romance homossexual não exige que duas pessoas afoitas em meio ao ato, mas pequenos toques, quando bem feitos, já são o suficiente para demonstrar amor, independente da sexualidade, na verdade.

530859.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Em questão de elenco, temos uma equipe maravilhosa aqui. Os três atores que interpretam Chiron são magníficos, porém os destaques mesmo acabam por conta de Ashton Sanders e Trevante Rhodes, juventude e vida adulta, respectivamente. Isso se deve justamente a juventude requerer uma transição da personalidade de Chiron, e Ashton Sanders consegue convencer em cada ação. Mas Trevante Rhodes, de todos os três, é o melhor justamente porque ele é o resultado do filme todo, ou seja, tudo que vimos durante os dois primeiros terços, culmina em Chiron na sua fase, e Trevante convence em cada olhar que exige que o personagem enfrente algo do passado. Ainda temos Mahershala Ali, como um traficante na fase Little, um ator excepcional, com direitos a tiques e uma personalidade dúbia complicadíssima. Porém o personagem é utilizado muito pouco e queria ter visto mais dele. E ainda temos Naomi Harris como a mãe de Chiron, sendo louca de tudo e que consegue demonstrar tantas emoções quanto tirar de seu público. E por fim, Janelle Monae, a mulher de Mahershala Ali, que está muito bem também.

A fotografia é lindíssima e muito limpa, querendo mostrar o mundo como ele realmente é, uma verdade nua e crua. E ainda temos uma bela trilha sonora que não é presente a todo momento, mas que quando toca apenas traduz o que estamos vendo, o que é normalmente uma cena sem falas, apenas ações e sentimentos puros.

530078.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Moonlight é um forte candidato ao Oscar. Por mais que tenha uma história simples, a história da vida de alguém, tudo nele posto é tocante e preciso. Não é um filme totalmente tranquilo de se ver, tratando de assuntos polêmicos sem ser forçado com drama, romance e pequenos momentos cômicos. É um filme que pode mexer com você, dependendo do quanto você imergir no filme, justamente porque ele demonstra sem meia palavras o que é a vida. Pesado, mas muito lindo, Moonlight é magnífico e merece ser visto e admirado pelo mundo devido à sua qualidade, beleza e sinceridade.

Nota do Autor: 10
Nota do público:(0 votos) 0
Dê a sua nota:

Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

Arthur Lopes publicou 253 posts. Veja outros.

Publicidade