Um Limite Entre Nós (Fences) – Crítica

Que filme complicado de se ver.

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Ambientado nos anos 50, aqui nós acompanhamos a vida pessoal de Troy Maxson (Denzel Washington, O Protetor) que vive de forma frustrada e amargurada pelas oportunidades que perdeu na vida.

Adaptado da peça de teatro de 1983, escrita por August Wilson, e estrelada pela voz de Darth Vader, James Earl Jones, aqui nós temos a adaptação da mesma, em formato cinematográfico, estrelada pelo elenco que a adaptou agora recentemente.

No entanto, Fences é um filme extremamente difícil de se assistir, não é para qualquer um e com certeza não serão todas as pessoas que irão conseguir gostar ou até mesmo absorver um filme desse tipo.

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A direção aqui fica por conta do também astro do filme, Denzel Washington. No caso, aqui Denzel faz um trabalho fantástico. Não é fácil se adaptar uma peça de teatro para o cinema, mas a sua direção em si torna as coisas mais fáceis de se absorver do que poderia ser nas mãos de um diretor qualquer. Enquadramentos perfeitos, e uma forma de criar uma narrativa ainda mais fluída, com um roteiro visceral e extremamente dinâmico, Fences é acaba sendo puro teatro.

É muito fácil você assistir ao filme e imaginar onde estaria a plateia que está assistindo o filme. Assim como também a constante entrada e saída de personagens do cenário se torna um fator que provoca essa sensação mais ainda. No entanto, algo que pode incomodar muita gente é o fato de quase todo o filme se passar em um único lugar, e a quantidade de diálogos que o mesmo possui. Encontrar silêncio em Fences é quase uma missão impossível. Quem já viu uma peça, sabe o quanto os atores falam durante o mesmo. Porém esse roteiro é justamente o melhor fator do filme. Aqui nós encontramos palavras que não estão lá à toa, tudo possui um significado, tudo em pró de sua narrativa.

No entanto, o filme ainda tem algumas pequenas passagens de tempo que não são malfeitas, mas destoam completamente do resto do filme, sendo cinematográfico demais, para um filme que por mais que traga alguns cenários além do principal, para trazer uma maior fluidez ao filme, é basicamente narrado em um único ponto. E o final desse filme pode fazer muitas pessoas torcerem o nariz.

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E no elenco nós temos atores excelentes que estão todos muito bem com exceção de dois.

Russell Hornsby interpreta o filho mais velho de Troy, Lyon, um músico que quer levar a vida mais tranquila possível, vivendo de sua música. Mykelti Williamson faz Gabe, o irmão de Troy que procura a independência pessoal mesmo com suas deficiências mentais. Stephen Henderson como Bono, o melhor amigo de Max, sendo o que pode ser mais próximo da voz da razão. E também Jovan Adepo como Cory, o filho mais novo de Max, um jovem que busca conseguir seguir as suas vontades com a aprovação do seu pai, por mais que o odeie.

Mas quem não está bem, e sim fenomenal é Viola Davis e Denzel Washington. Viola Davis conseguiu me emocionar apenas com uma cena, um único diálogo sobre alguém amargurado que simplesmente deixou a vida passar, sem fazer nada a respeito. É minha favorita para o Oscar, e merece depois dessa fantástica e emocionante atuação e Denzel Washington interpretando Max, o personagem mais profundo do filme e que está animal aqui! Cada palavra dita por Denzel é dita com ferocidade. A sua interpretação é algo completamente instigante e violenta em cada vírgula. Ele está incrível seja com seu amor, fúria e magoas do passado. Se ganhar o Oscar não será surpresa.

E ainda temos a fotografia excelente juntamente da direção de arte que compõe bem a época e uma trilha sonora pontual, mas que pouco marca presença.

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Fences não é exatamente uma experiência cinematográfica, talvez ver essa história numa peça seja mais impactante. Porém, é um filme ótimo, com significados profundos de como o meio em que somos criados nos molda, e até mesmo como as boas intenções de alguém podem ser prejudiciais aos olhos da vítima. É um filme magnífico, impactante e importante em suas entrelinhas.

Nota do Autor: 9
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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